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Como o FMI e o Banco Mundial para desenvolvimento da economia estimulam o aumento do turismo sexual

Embora a novela tenha seu crédito por trazer a público a temerosa questão da escravidão sexual no mundo, ela apenas toca levemente nas paredes das masmorras da fortificação degradante da prostituição. Os governos e a polícia precisam espremer sem piedade a prostituição internacional e seus proxenetas. É preciso que haja um esforço das forças policiais, dos educadores, das frentes médicas e de organismos de reinserção na sociedade para que se enfrente esta chaga da humanidade. E a resposta está nas declarações das próprias vítimas:

Richard Poulin – De acordo com recente pesquisa realizada em Vancouver, uma parcela grande (95%) das pessoas prostituídas entrevistadas deseja deixar a prostituição. (Uma pesquisa semelhante realizada em escala internacional confirmou que 92% das mulheres prostituídas desejam deixar a prostituição.) Esta pesquisa também evidenciou as necessidades imediatas dessas mulheres, em sua maioria autóctones (52%). Aproximadamente

  • 82% delas disseram precisar de um tratamento de desintoxicação (droga ou álcool);
  • 66% dizem precisar de uma moradia ou de um lugar seguro;
  • 67% querem uma formação profissional;
  • 41%, cuidados médicos;
  • 49%, cursos de autodefesa;
  • 58%, serviços de aconselhamento;
  • 33%, assistência jurídica;
  • 12%, serviços de creche para crianças; e
  • 4%, um serviço de proteção física contra os proxenetas.

A transformação de um ser humano em mercadoria prostitucional significa não somente sua coisificação, mas também sua inserção em relações de submissão sexista e de subordinação mercantil. Alguém se torna uma pessoa prostituída em consequência de um itinerário caótico, que fragiliza, vulnerabiliza e destrói. As brutalidades e outras violências, principalmente as violências sexuais, mas também as violências psicológicas, têm como consequência o fato de instituir a sujeição e de fazer com que a resignação se sobreponha a qualquer veleidade de contestação ou de revolta.

O caso de amor entre a prostituição internacional e o capitalismo. Entrevista especial com Richard Poulin

“A prostituição gerou uma indústria sexual de dimensões mundiais, onde atualmente representa uma verdadeira potência econômica”, constata o coordenador do Instituto de Estudos e Pesquisas Feministas da Universidade de Ottawa, no Canadá.

“Ela [a indústria do sexo] constitui 5% do produto interno bruto da Holanda, 4,5% na Coreia do Sul, 3% no Japão e, em 1998, a prostituição representava de 2% a 14% do total das atividades econômicas da Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia”, afirma Ricahrd Poulin. Em entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line, o pesquisador destaca que a prostituição está diretamente relacionada às estratégias de consumo, exploração e a lógicas análogas à escravidão. “Os indivíduos estrangeiros prostituídos situam-se no nível mais baixo da hierarquia prostitucional, são social e culturalmente isolados e exercem a prostituição nas piores condições possíveis, sendo ao mesmo tempo submetidas a diferentes formas de violência, tanto no cotidiano prostitucional quanto no transporte de um país para o outro”, argumenta.

 

 Richard Poulin (foto) é sociólogo e professor titular da Universidade de Ottawa. Dedica-se a temas relacionados ao feminismo, sobretudo às pesquisas de direitos humanos e exploração sexual de mulheres e crianças. É autor de 11 livros e dezenas de artigos sobre o tema. Suas obras mais recentes são Les meurtres en série et de masse, dynamique sociale et politique (Montréal, éditions Sisyphe, 2009), Exploitation sexuelle, crime sans frontières (Paris, Les éditions du GIPF, 2009) e Poulin, R. avec la coll. de Mélanie Claude, Pornographie et hypersexualisation. Enfances dévastées (Ottawa, L’Interligne, 2008).

Confira a entrevista.

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Sujando a imagem da pesquisa brasileira

Resposta à reportagem veiculada no programa Fantástico com Dr. Drauzio Varela relativo à  ‘’inoquidade dos fitoterápicos brasileiros’’.

Nas duas últimas décadas, o Brasil tem se esforçado para desenvolver pesquisas farmacêuticas na área de fitoterápicos, à revelia de qualquer apoio público de pesquisa científica. Não se pode esquecer que países europeus, como a Alemanha, saíram na frente com medicamentos nascidos de plantinhas de nossas florestas. Por lá, parece mais fácil entender que manter acesas linhas de pesquisas em fármacos e medicamentos faz parte de um plano de soberania. Por aqui, vivemos de pastos e manadas, apenas.

Houve um momento recente na História do país que os órgãos envolvidos em subvencionar, aprovar e patentear o resultado das pesquisas brasileiras em fármacos e medicamentos fitoterápicos, simplesmente, faziam-se de esquecidos e desinteressados, rigorosos a ponto de nem mesmo aceitar estudos realizados por universidades federais. Isso um dia tem de ser contado de forma mais transparente, citando os impedidores e seus chefes como desarticuladores da indústria farmacêutica nacional, por um lado, desorganizadores da pesquisa nas universidades e fundações a partir de plantas de nossas florestas, por outro lado. E, enfim, como inibidores da soberania nacional em área que não deveríamos descuidar nem por um segundo.

Fazer o quê, se as vozes escutadas são sempre a de falsos profetas e doutos generalistas que, uma vez na mídia, ocupam-se do lugar de autoridade e aí, adeus anos, décadas de esforços, ações, pesquisas. Suja a imagem da pesquisa nacional e se refestela ao chamar todos de conspiradores. De forma clara, refiro-me aos comentários impertinentes e desavisados que o médico oncologista Drauzio Varella – autor e apresentador de sucesso, por seus livros, artigos na imprensa e participações no programa dominical Fantástico – costuma fazer sobre medicamentos fitoterápicos.

Estou certo que para levar a cabo seus comentários, deveria consultar alguns colegas que há muito tempo somam esforços para fazer valer a importância do que há em nossas matas e o resultado científico disso como fármacos e medicamentos. Ao consultar alguns deles, percebi que o médico Drauzio Varella tira conclusões próprias e apressadas. Ou, muito provavelmente, faz consultas a pessoas que jamais tiveram sensibilidade com as pesquisas brasileiras com fitoterápicos.

O resultado pode-se ver, também, na série É bom para quê?, que estréia neste domingo, dia 29, no Fantástico, que a Rede Globo exibe às 20h50, e que terá quatro episódios, e na entrevista ao site da revista Época, na coluna da jornalista Cristiane Segatto, publicada no dia 13 de agosto, acentuada de que fez “ampla investigação sobre ervas e fitoterápicos”, “levantou evidências científicas relacionadas às ervas mais usadas no Brasil” e mergulhou “no mundo obscuro dos fitoterápicos”. Ao final de sua série e de sua entrevista, qualquer um pode se perguntar a quem ele se prestou defender com vastas observações aleatórias e imprecisas. Todavia, concluiu que “os brasileiros estão sendo enganados”. Vamos, então, viajar em algumas destas surpreendentes afirmações do médico Drauzio Varella.

O médico diz que o Ministério da Saúde criou uma medicina para pobres ao incluir oito medicamentos fitoterápicos em sua cesta de distribuição pelo SUS. “ (…) plantas que não têm atividade demonstrada cientificamente. Quando dizem que determinada planta tem atividade isso significa que em tubo de ensaio ela demonstrou ter determinada ação. Mas isso não basta. Para ter ação comprovada em seres humanos, falta muita coisa”, disse Drauzio Varella.

E fataliza que quer mostrar que os fitoterápicos “têm de ser estudados. Têm de ser submetidos ao mesmo escrutínio ao qual medicamentos comuns são submetidos. Essas coisas são jogadas para o público sem passar por estudo nenhum”.

Ele se refere a:

1) Aroeira (Schinus terebinthifoliusRaddi),

2)Alcachofra (Cynara scolymus L.),

3) Cáscara sagrada (Rhamnus purshiana D.C.),

4) Garra do diabo (Harpagophytum procumbensD.C.),

5) Guaco (Mikania glomerata Spreng.),

6) Soja (Glycine Max),

7) Unha de gato (Ficus pumila),

8) Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia).

Para facilitar a vida de Dr. Varella, cito os estudos relativos ao “Uso da Aroeira (Schinus terebinthifolius Raddi) para Tratamento de Infecções Vaginais” e “Tratamento da vaginose bacteriana com gel vaginal de aroeira Schinus terebinthifolius Raddi KRONEL” (Luiz Carlos Santos e Melania Maria Amorim, do Instituto Materno-Infantil de Pernambuco (IMIP) / Centro de Atenção à Mulher (CAM), referências no Brasil).

O médico Dráuzio Varella não sabe o que diz. Não sabe mesmo. Como se diz por aí, não sabe da missa um terço. Não sabe os rigores da ANVISA, bem mais rigorosa na aprovação de medicamentos que sua coirmã europeia e a americana. Se soubesse disso, saberia que há registros de fitomedicamentos similares aos nossos na Europa e Estados Unidos, enquanto nós, brasileiros, não conseguimos esses registro no país, tampouco patenteá-los.

O argumento de que os fitomedicamentos não têm validade por estarem na ANVISA registrados como alimentos é uma falácia, para não dizer ignorância do processo histórico das pesquisas com fitoterápicos no Brasil e a luta travada com os órgãos de registro. Para dar algum conhecimento a quem precisa de algum, a maioria dos estudos brasileiros com fitoterápicos, cumprindo todos os requisitos internacionais de pesquisa clínica, são colocados em um fila interminável de espera e exigências. Resta aos laboratórios, em parceria com centros de pesquisas, recorrerem à intermediação da justiça para fazerem o medicamento incluir-se em algum lugar de validade.

O Dr.Varella diz: “se eu tivesse autoridade [para proibir os fitoterápicos], mandaria recolher do mercado todos os fitoterápicos cuja eficácia não tenha sido demonstrada cientificamente”. E adverte que, pensando assim, alguém dirá que ele fala em nome dos grandes laboratórios. Sugere que – fora ele que imagina um complô fitomedicaperigoso contra a saúde pública – quem  pensar que ele pensa assim faz parte de uma teoria da conspiração.

Não acho. Acho que Dr. Varella não sabe nada das pesquisas brasileiras sobre fitoterápicos e é uma lástima que chegue a ele tanto dinheiro para maldizer os esforços brasileiros de pesquisa, confundindo – valha-me, Deus! – medicamentos com chazinhos. Seu desejo autoritário, contudo, para seu conhecimento, sempre se manteve no país e, provavelmente, para seu conhecimento, é um dos fatores mais atuantes para o entrave das pesquisas nacionais no aproveitamento das nossas riquezas naturais.

São os “doutores” Varella brasileiros, que pensam – por ignorarem coisas como Boas Práticas de Fabricação e Programas de Bioequivalência, em uso no país – que não ajudam o Brasil a ter condições de produzir e patentear medicamentos a partir de seu potencial. É o mesmo tipo que diz que tiraria do mercado esse ou aquele medicamento, provavelmente, porque foi ao lugar errado para saber das pesquisas com fitomedicamentos no país. Felizmente, o poder deles é bem limitado. Felizmente e para nossa segurança.

O Dr. Varela está sendo no mínimo deseducado, além de mal informado, com uma gama quase inumerável de mestres, doutores e pós-doutores nas áreas de química de produtos naturais, farmacêuticos, químicos, médicos; de industriais sérios, de centros de pesquisas sérios que há anos estão querendo trazer o Brasil para o andar de cima.

Mas existe gente como o Dr. Varela querendo puxar o Brasil para o andar de baixo.

Chega Dr. Varela, acorde, o Brasil mudou, o senhor também deve mudar com os que querem ver o Brasil no andar de cima.

Quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Josimar Henrique é Presidente da Hebron Farmacêutica – www.hebron.com.br e Diretor Temático de Assuntos Parlamentares da Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas
Especialidades – ABIFINA – www.abifina.org.br.

Dr. Estácio Ferrer

CRM – 11786

Médico Homeopata

Acupuntura Médica

Nutrição

Fitoterapia

Endereço: Rua Coronel José Félix 148 – Pontal – Ilhéus –Bahia

Tel.: (73) 3634-3700 / 3231-5651

Email.: clinica-santana@uol.com.br

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Entrevista do Secretário Nacional Antidrogas, General Uchoa, à CBN

Íntegra da entrevista do secretário Nacional Antidrogas, general Paulo Roberto Yog de Miranda Uchoa, à CBN:

Heródoto Barbeiro- Há alguma regulamentação para servir esse chá a pessoas de forma geral? Como funciona isso?

Uchoa- O problema da utilização da Ayahuasca, ou santo Daime, vem sendo debatido dentro do âmbito do Governo há mais de 20 anos. Porque nós temos a nossa Constituição que garantem direito ao culto e temos algumas linhas religiosas que fazem uso do chá, de forma religiosa, desde o início do século passado, e que traziam um problema porque esse chá contém uma substância considerada proibida, considerada alucinógena, que é o DMT. Então há muito tempo que vem se estudando isso, desde o antigo Confen, e depois pelo Conselho Nacional de Antidrogas… Grupos de estudos foram desenvolvidos, com trabalhos de pesquisa muito sérios – inclusive seminários, como no Acre, com a participação de representantes das linhas religiosas, com a finalidade de verificar a possibilidade de se autorizar o consumo do chá nas cerimônias religiosas. O consumo religioso sob a responsabilidade social dos dirigentes das organizações presenciadas. Então, isso foi feito… Foi feito um trabalho de muita profundidade, com um grupo multilateral de trabalho, composto por cientistas das áreas da bioética, da psiquiatria, da farmacologia e também por representantes dessas linhas religiosas, e que chegou-se à conclusão para um relatório que foi levado ao Conselho Nacional Sobre Drogas, que aprovou esse relatório, e virou a resolução com a autorização do uso apenas religioso, sob a responsabilidade social e a série de critérios por parte das religiões interessadas.

Heródoto- Qualquer pessoa que se apresentar no culto pode tomar o chá? Um psiquiatra ouvido aqui dizia que se a pessoa tiver qualquer transtorno mental, esse chá não lhe faria bem… A pessoa ao entrar ela assina um documento, dizendo que se responsabiliza e tira toda a responsabilidade do condutor do culto. Ela é obrigada a assinar um termo como esse, lá.

Uchoa- As linhas religiosas que trabalham com esse chá, que compreendem perfeitamente… São as primeiras… Aliás, inclusive chamou muito a atenção o entusiasmo deles em fazer com que toda – isso, nos trabalhos anteriores à Resolução – de que tudo fosse feito para evitar a banalização do chá. Ou seja, que fosse consumido somente daquela forma. E o entendimento deles, do próprio Grupo de Trabalho, de que as curas e soluções para problemas pessoais, deveriam ser compreendidas no mesmo contexto religioso das demais religiões, enquanto ato de fé, sem ser necessário a causa e efeito em relação à ayahuasca e tal. Mas, pressupõe-se – então, eles sabem disso, né? – nas reuniões ritualísticas, a presença de pessoas experientes, que saibam lidar com os diversos aspectos que envolvem a prática do uso do chá. Por exemplo: a capacidade de identificar as espécies vegetais, saber preparar, reconhecer o momento adequado, discernir as pessoas a quem não se recomenda o uso, então tudo isso é uma contrapartida do controle social que deve ser exercido pelas religiões, inclusive em relação à utilização por crianças e mulheres grávidas. Então há o chamamento de atenção para esses aspectos na responsabilidade social por parte dos dirigentes dessas entidades.

Heródoto- General, mas um dirigente desse pode prometer que retira uma pessoa de drogas pesadas utilizando esse chá?

Uchoa- É, inclusive há essa recomendação da não utilização do chá com outras drogas. Obviamente, no momento em que se for utilizar com outras drogas que não a contida no chá, então já passa a ser uma transgressão, um crime conforme a Lei prevê. Então, o que o Conad fez foi com relação ao chá. E, aliás, o Conad, depois de todos esses estudos de que lhe falei, também está calcado numa decisão da Junta Internacional de Entorpecentes – que é o órgão que fiscaliza as convenções da ONU – que diz textualmente que nem a folha, nem o cipó que compõem o chá Ayahuasca, são substâncias que devem ser controladas. O problema que causa toda essa situação, é que na hora da confecção do chá, aí sim surge o DMT… Então, fica bem clara na decisão desse órgão da ONU a que me referi, que o chá não está na relação das drogas proibidas, então o Brasil achou por bem, a fim de dar cumprimento ao item constitucional que garante o culto religioso, mas também de dar satisfação internacional e satisfação interna à condição de ter, aquele chá, a presença de uma substância que é considerada proibida… Então, por isso que há mais de 20 anos que vem se estudando, que chegou-se  à conclusão, em conjunto com as seitas, que não são poucas, são grandes, são muito sérias… Para você ter uma ideia, nesse Grupo de Trabalho que preparou todo esse relatório, que baseou e fundamentou a Resolução do Conselho Nacional, nós temos – representando essas instituições – nós temos juízes federais, membros dessas seitas… Temos juízes federais, temos procuradores da República, temos médicos, temos engenheiros… Como representes nesse Grupo de Trabalho. Então, é uma coisa que foi levada bastante a sério. Agora, infelizmente, aconteceu um caso como esse, que desperta a atenção. Obviamente, é claro, isso aí chocou e abalou… Mas, infelizmente, também, trata-se de uma pessoa que está se vendo – e agora naturalmente vai ser verificado com mais profundidade – trata-se de uma pessoa que poderia ter cometido esse ato em qualquer outra circunstância.

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the smiling dog: Porque eu não vou tomar a vacina da gripe suína.

O texto abaixo saiu daqui

Ok, este é um post polêmico. Meu intuito aqui não é discutir uma decisão que já está tomada. Quero apenas expôr as razões que me ajudaram a decidir, porque podem servir de fonte de informação para outras pessoas, para que possam decidir também.

Vídeos:

Notícias:

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No bonde do pânico do H1N1

Uma reportagem clara e direta sobre o pânico fabricado pela mídia americana e que foi comprado pelo resto do mundo: A malvada gripe matadora H1N1, a gripe porcina.

De CRISTIANE SEGATTO – Repórter especial, faz parte da equipe de ÉPOCA desde o lançamento da revista, em 1998. Escreve sobre medicina há 14 anos e ganhou mais de 10 prêmios nacionais de jornalismo.

Minha primeira reação foi de revolta. Assim como milhões de brasileiros, fui excluída da campanha de vacinação contra o vírus A (H1N1), causador da gripe popularmente chamada de suína. Perceber que sua vida vale menos que a dos outros nunca é agradável. Foi o que senti ao tomar conhecimento dos grupos prioritários estabelecidos pelo Ministério da Saúde. Faço 40 anos em abril. Os adultos saudáveis de 30 a 39 anos receberão a vacina a partir de 10 maio (confira o calendário). Por apenas 19 dias, perdi a chance de ser vacinada.

Sim, considero que não tomar uma vacina é uma perda. Das grandes. Principalmente quando a dose está disponível gratuitamente. As vacinas são uma enorme conquista da Humanidade. Podemos dividir a história da luta da espécie humana pela sobrevivência neste planeta em dois momentos: antes e depois da invenção das vacinas. Se hoje podemos sonhar em viver 100 anos, devemos agradecer aos cérebros que criaram formas de imunização contra tantas feras microscópicas.

Por interesse pessoal e jornalístico, decidi investigar se vale a pena comprar a vacina numa clínica privada. Conversei com especialistas, refleti sobre o alarde criado em torno desse vírus e cheguei à conclusão de que minha reação havia sido precipitada. Agora estou decidida: não vou comprar essa vacina. Ainda não me convenceram a embarcar no bonde do pânico.

O vírus da gripe suína não mata mais do que o da gripe comum. Nunca foi mais letal do que os vírus causadores das gripes com as quais convivemos recentemente. Não era mais letal no ano passado. Não se tornou mais letal agora. A diferença é que os casos graves (nos quais ocorre comprometimento dos pulmões) estiveram mais concentrados na faixa etária dos adultos jovens. Em julho de 2009, escrevi aqui nesta coluna que não via razão para tanto barulho em torno desse vírus. Continuo não vendo.

De lá para cá, a Organização Mundial da Saúde (OMS) foi acusada por políticos europeus de ter exagerado nos alertas emitidos sobre o H1N1 para favorecer os fabricantes de vacinas e do antiviral Tamiflu. Não acredito que a OMS tenha agido daquela maneira com a intenção deliberada de favorecer empresas. Talvez eu esteja sendo ingênua, mas ainda confio nessa instituição. Acredito, porém, que ela tenha adotado uma estratégia de comunicação desastrada. Até isso é justificável quando lembramos que em julho e agosto ninguém sabia de que forma o vírus iria se comportar. Em muitas ocasiões no passado, o surgimento de um vírus influenza diferente provocou catástrofes. Os tantos alertas emitidos, portanto, tinham algum fundamento. Se a OMS pecou foi por excesso de cautela.

O fato é que o H1N1 não era tão perigoso quanto poderia ter sido. E, de lá para cá, parece ter sofrido uma atenuação. O índice de morte entre os infectados é inferior a 1%. Assim como ocorre com a gripe sazonal de todos os anos. Todos os anos havia mortes por gripe. A diferença é que elas não eram notícia.

Os especialistas acreditam que no inverno de 2010, o Brasil terá uma situação mais tranquila do que no ano passado. “Se já não havia razão para pânico em 2009, agora há menos ainda”, diz o infectologista Esper Kallás, professor da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.

“Estima-se que até um terço da população brasileira tenha pego o vírus no ano passado. Essas pessoas não terão gripe nem transmitirão o H1N1”, diz Kallás. Além disso, o Ministério da Saúde espera vacinar 96 milhões.

Ou seja: a probabilidade de que eu pegue esse vírus neste ano é bem mais baixa do que no ano passado. Se eu for infectada, o risco de que eu sofra alguma complicação mais grave também é baixíssimo. Afinal, não faço parte de nenhum dos grupos nos quais foram registrados mais casos graves e mortes. Fazem parte desse grupo, os doentes crônicos, as pessoas imunodeprimidas, as gestantes, as crianças entre 6 meses e dois anos, os obesos, os adultos jovens. Todos eles (além dos idosos, indígenas e profissionais de saúde) foram acertadamente incluídos na campanha de vacinação do governo.

Se eu pegar o H1N1, é provável que eu sinta mal-estar durante uns dias ou caia de cama. E, uma semana depois, esteja pronta pra outra. Há outra possibilidade: talvez eu já tenha pego esse vírus e nem tenha percebido.

Termine de ler aqui: Coluna da Cristiane Segatto na época.

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