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A violência contra a mulher no país dos gurus

Depois de um longo período sem escrever, um tópico recorrente em meus posts, incentiva este retorno. Há poucos dias o mundo soube de um estupro na Índia. Entre tantos que acontecem diariamente naquele país, este ganhou notoriedade, talvez pela violência excessiva. Excessiva porque não existem estupros sem violência. Todos que leem este blog sabem de minha repulsa e posição quanto a este tipo de crime.

Mas não poderei falar melhor do que Kavita Krishnan no artigo abaixo. É longo. Leia-o. Entenda porque digo que a Índia não é o país dos homens santos, mas se este mundo é de provações e evolução, a Índia é o lugar onde paga-se o preço alto.

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Índia: ‘Temos que defender o direito das mulheres sem medo!’

Em meio à indignação nacional contra o estupro, é fácil esquecer que os estupradores não são uma “espécie exótica” em nossa sociedade. Os estupradores não são sempre estranhos sem rosto: em 90% dos casos são os pais, irmãos, tios e vizinhos da vítima: gente conhecida, a qual se espera que a vítima respeite e obedeça. A violência sexual é uma forma de impor a disciplina patriarcal às mulheres. As mulheres que a desafiam são castigadas. E o medo ao estupro e à violência sexual funciona como um censor interno nas decisões das mulheres. O artigo é de Kavita Krishnan.

Kavita Krishnan

Em meio ao indescritível horror do estupro e tentativa de assassinato (consumado no dia 27 de dezembro ao morrer a vítima, dia que se conheceu seu nome, Amanat – NdR) em Nova Délhi, há uma centelha de esperança que alimentamos, sustentando-a nas manos para que não se apague, ajudando-a a crescer e se tornar uma chama forte… Para que se estenda como um incêndio em um bosque.

Uma mulher jovem, uma estudante de fisioterapia de 23 anos de idade, embarcou em um ônibus em Nova Délhi com um amigo. Estavam sós no ônibus, com exceção de um grupo de homens, que começaram a incomodá-la por estar a essas horas da noite com um homem. Nem ela nem seu amigo aceitaram as provocações e, finalmente, o grupo de homens
decidiu “dar-lhes uma lição”. Bateram em seu amigo até deixá-lo inconsciente. E a estupraram em grupo, agredindo-a sadicamente e deixando-a com os intestinos destroçados.

A esperança radica na grande quantidade de pessoas que saíram para protestar depois. Foi bom presenciar a ira espontânea e a determinação de levar os estupradores à justiça. Mas ainda melhor foi ser testemunha da vontade de dirigir essa ira contra uma sociedade e uma cultura que justificam a violência e a violação sexual. A vontade popular – de mulheres e homens comuns – de fazer frente às raízes da violência sexual e dar-lhe um fim inspira mais esperança e confiança do que toda a retórica gótica dos deputados no parlamento.

Desafiando a cultura do estupro
Uma mulher que viu um vídeo da nossa manifestação de protesto e dos discursos dos ativistas em frente à casa da ministra principal de Délhi Sheila Dixit me escreveu para dizer que o protesto havia chegado ao seu coração: “Me escreveram garotas mais jovens, absolutamente angustiadas, porque seus pais estão utilizando o caso do estupro em grupo de Délhi como um exemplo do que pode acontecer quando se sai de “passeio”. E já não as deixam fazer nada: nem ter uma conversa com seus amigos homens nem ir à universidade de sua escolha. Ver seu protesto me encheu de esperança e de solidariedade”.
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O livro ” Mestre Gabriel o Mensageiro de Deus” chega até nós

Finalmente chega até as comunidades Hoasqueiras o livro “Mestre Gabriel, o Mensageiro de Deus”. Os caianinhos esperam por este lançamento já tem um bom tempo. É, portanto, motivo de alegria entre nós, sejam da UDV ou de outras distribuições que reconhecem neste Mestre uma Luz a nos guiar.

Mestre Gabriel, o Mensageiro de Deus

“ Quem é esse personagem misterioso e fascinante, que, com tão escassa escolaridade, e em meio tão inóspito, incursiona pela mais refinada filosofia e marca, com sua presença, um novo momento no processo de evolução espiritual da humanidade? É o  que este livro, que não tem propósito doutrinário, se dispõe a examinar, traçando-lhe o perfil biográfico e expondo a obra que deixou.”

Leia o post na íntegra aqui.

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As viagens dos vassalos do rei Salomão ao rio das amazonas – 2ª Edição

A escritora  Lídice Canella lança a 2ª Edição do Livro “As viagens dos vassalos do rei Salomão ao rio das amazonas”

O lançamento foi realizado em Manaus-AM, no dia 21/11/2011, às 20 horas, na Assembléia Legislativa do Estado, com palestra e lançamento da 2ª edição do livro.

Resultado de uma ampla e profunda pesquisa histórica de Lídice, empreendida por 7 anos, a partir do texto do início do século XIX do pesquisador Vicomte Enrique Onffroy de Thoron. Um encontro com as raízes de uma longínqua e surpreendente história que revela o contato entre os povos do continente americano com as nações do oriente médio, sobretudo no tempo do sábio e grande Rei Salomão. O texto enfatiza a vida e feitos desse Rei e seu Arquiteto abordando ainda aspectos dos povos atlantes, fenícios e hebreus.

Mais sobre a obra

Apresentação por Roberto Evangelista
As viagens dos vassalos do rei Salomão ao rio das amazonas

As viagens dos vassalos do rei Salomão ao rio das amazonas

Para o pensamento africano, o consenso é que depois de sete gerações não conseguimos mais distinguir entre história e lenda.

Se considerarmos Heráclito, o proto-historiador, esse período pró esquecimento seria de 210 anos, visto que para ele uma geração se compunha de 30 anos – espaço tempo no qual o pai pode ver o filho engendrando novas gerações.

Segundo a Bíblia, no entanto, que determina o período de 40 anos como sendo o da duração de uma geração, o não distinguir mais entre história e mito se daria a partir dos 280 anos, um tempo mais extenso de memória viva.

Para os povos de tradição oral, tal como as nações tribais africanas, americanas, asiáticas e outras, é compreensível que – à luz crepuscular da memória – após quase três séculos, os fatos passem a ser narrados pelos velhos em volta das fogueiras, como lendas de seus antepassados.

Para o “povo do livro”, no entanto, o registro dos primórdios até aC está devidamente impresso na Torá. Aqui, lendas e mitos podem até compor o imaginário dos seus personagens, mas se encontram devidamente registrados para serem fervorosamente examinados, estudados e/ou decodificados.

Os povos de cultura oral e os da cultura escrita têm seus méritos e deméritos na hora de contar suas histórias. Pois mesmo os que escrituraram a sua gênese tiveram trechos da sua história adulterados – ainda que pese a bem intenção dos seus escribas – após sucessivas compilações, recopilações e traduções ao longo da história. Além do comodismo de não mais se ocupar em memorizar, pois o que está escrito está escrito…

…Salomão, o grande rei, teria algo a ver com a marcha dos homens sobre a terra? Seus feitos sapienciais poderiam ainda nos tocar profundamente, iluminando nossos corações e mentes? E Atlântida, o continente desaparecido? As provas de sua existência alterariam o curso da história atual, levando as nações a uma reflexão redentora sobre suas condutas insanas e predatórias? Existirá, afinal, algum elo entre aquele sábio, o Brasil e o continente perdido da Atlântida?

O imaginário da maioria dos homens de hoje não se lança mais a tantas fantásticas perguntas. Interesses e necessidades por tais mergulhos quanto à nossa trajetória por esse vale de lágrimas ficaram à deriva diante do turbilhão materialista, cientificista e midiático dos dias atuais.

Para os iniciados, no entanto, a trilha que a humanidade seguiu ao longo da sua história está permeada de linhas interrompidas, vazios, vácuos e interrogações clamando por respostas.

O livro de Lídice é um belíssimo roteiro na busca pela revelação desses mistérios. Para os marinheiros de primeira viagem, uma bússola de alta precisão. E, para o leitor audaz, o novelo de Ariadne, para adentrar no emaranhado labirinto do tempo e sair de lá ileso, lúcido, pleno de novas perspectivas.

Lídice, arguta argonauta, investigadora extremamente generosa, nos brinda com um acervo riquíssimo: um amplo e rigoroso trabalho de pesquisa, um substancial painel de dados – suas notas explicativas são reluzentes! – inédito em língua portuguesa.

Suas fontes são aquelas também reveladas por descobridores que, segundo a autora, experiente e renomada juíza, contaram apenas com a sua fé na trajetória de suas descobertas, já que o caminho percorrido por esses crentes do imaginário foi quase sempre solitário e calcado de críticas.

Eles, certamente, deveriam trazer muitas dúvidas sobre as tradicionais certezas históricas, “pois não há memória sem conteúdo imaginativo, como não há imaginário que não contenha memória”.

Senhoras e senhores faiscadores da verdade, iniciados nos mistérios órficos, eleusinos, báquicos ou pitagóricos, tomai vossos assentos, desapertai os cintos, desprendei a mente e boa viagem!

Leia o prefácio em PDF.

A publicação de 408 páginas, pode ser adquirida pelo preço de R$ 40,00 + PAC, através do e-mail viagensdoreisalomao@hotmail.com. Toda renda do livro será revertida para a UDV. O prazo de entrega de, 7 a 10 dias úteis.

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NO ACRE, COMO SE FOSSE A PRIMEIRA VEZ

Publicado originalmente no Blog do Altino Machado
POR EDSON LODI

Abro os olhos no salão do bailado do centro fundado por mestre Raimundo Irineu Serra. Vejo homens, mulheres, jovens e algumas crianças a cantar, a tocar maracá e a bailar com o corpo e com o espírito iluminado pela luz do Daime. Tudo é tão singelo e ao mesmo tempo tão sério que tenho a impressão de que retorno a um tempo imemorial, em que Deus ensinava pela música e pelo movimento das verdes palmeiras tocadas pela brisa serena.

Do outro lado do salão, uma senhora observa a tudo e a todos. Semblante calmo e olhar profundo. Talvez tenha saudades das noites em que os maracás também soavam e de mestre Irineu, seu esposo e guia espiritual; que, mesmo sendo tão alto, tinha a missão mais elevada ainda.

Estou sentado em um banco, entre tantas cores e músicas divinas, orquestradas por simples maracás, e observo madrinha Peregrina. Ela está no outro lado do salão, com porte de digna e solene senhora ayahuasqueira. Ela comemorava 74 anos neste 14 de julho.

Peço ao Criador que a mantenha com saúde e alegria entre nós. Meu coração também ressoa com entusiasmo – há um maracá e um Cruzeiro em meu peito. Que sejam longos seus dias, sempre com o sol e o brilho da lua e das estrelas a embalar seus sonhos.

Neste salão, me alegro por ter em recordação coisas tão importantes para a nação ayahuasqueira, acontecidas recentemente. No dia 11 de julho tivemos uma sessão solene, na Câmara dos Deputados, em homenagem aos 50 anos do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, por iniciativa da deputada Perpétua Almeida (AC) e do deputado Wolney Queiroz (PE).

A presença da União do Vegetal no Plenário da Casa do Povo Brasileiro é motivo de júbilo para toda a comunidade ayahuasqueira. É mais um reconhecimento pelo Estado do trabalho religioso desenvolvido pela União do Vegetal e, por extensão, do uso religioso da ayahuasca. Em minha lembrança ficará gravada por muito tempo as palavras da deputada Perpétua Almeida – intransigente defensora de nossos direitos religiosos –, após receber a bandeira da UDV das mãos de mestre Pequenina, que se encontrava na tribuna:

– Recebo esta bandeira em nome do parlamento brasileiro, como símbolo do direito constitucional do livre exercício dos cultos religiosos.

Semelhante homenagem aos 50 anos da UDV foi igualmente prestada pela Assembleia Legislativa do Estado do Acre – solicitada pelo deputado Eduardo Farias e aprovada por unanimidade por todos os seus pares – no dia seguinte, 12 de julho.

Foi mais um momento de emoção, ao ver que o Estado do Acre homenageou mais uma vez o mestre Gabriel – que andou em terras de Vila Plácido – e sua obra, a União do Vegetal. Este acontecimento foi prestigiado por amigos tantos e irmãos de luz da comunidade religiosa do Acre, representados pelo Sr. Manoel Pacífico da Costa, Secretário-Geral do Instituto Ecumênico e Fé e Política do Acre.

Nesse mesmo sentido tivemos a fala de alguns deputados evangélicos que agradeceram os esclarecimentos prestados, reafirmando o compromisso com a liberdade religiosa. A apresentação do Coral da Amizade e a fala da Conselheira Odaíza, da UDV, emocionaram a todos os presentes. A casa de Frei Daniel Pereira de Matos estava representada pelo Francisco Araújo e outros queridos amigos.

As palavras proferidas por Toinho Alves sintetizam os sentimentos de respeito pelo trabalho que a UDV vem realizando:

– A União do Vegetal é uma guardiã do uso religioso da Ayahuasca.

À noite, durante a reunião da Câmara Temática de Culturas Ayahuasqueiras, coordenada pelo amigo João Guedes Filho, tive a honra de ser convidado para prestar minha modesta colaboração em um trabalho de grande relevância social: a elaboração de uma cartilha para incluir a história das religiões ayahuasqueiras dentro do ensino religioso da grade escolar do Estado, trabalho a ser escrito pelo historiador Marcos Vinicius.

Esta oportuna iniciativa manterá o Estado do Acre na vanguarda da prática fiel da tolerância religiosa. Queira Deus que estes exemplos se espalhem por outros estados brasileiros e se tornem uma realidade entre todos os segmentos sociais.

Nesse momento de reflexões, faço silenciosamente uma oração agradecendo a pronta e firme intervenção do senador Jorge Viana e da Assembleia Legislativa do Acre em relação aos recentes acontecimentos que envolveram o nome do sacramento religioso na mídia acreana, com a incineração de alguns litros de Daime em meio a drogas proscritas.

Enquanto refaço todos estes acontecimentos em minha memória, espocam os fogos de artifício clareando o céu da comunidade do Alto Santo. Sinto-me como um menino espantado com a grandeza da luz. Em meu coração aprendiz, louvo a Deus em todas as suas formas.

Pela manhã estive no núcleo Jardim Real, abracei os irmãos da UDV, pleno do mesmo sentimento e com a certeza de que estou e estarei sempre em boa companhia.

Edson Lodi é escritor, do quadro de mestres e coordenador de relações institucionais do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal

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Vitórias memoráveis da grande nação hoasqueira

Da ALEAC

Durante sessão solene realizada nesta terça-feira, 12, na Assembleia Legislativa em alusão aos 50 anos da União do Vegetal, o coordenador de Relações Institucionais da UDV, Édson Lodi, falou que a união do vegetal é uma religião de origem brasileira e de dimensão universal. Para ele o vegetal professa crença na reencarnação, com o objetivo de evolução espiritual.

De acordo com Édson, a União do Vegetal sustenta o código ético/moral expresso nos dez mandamentos de Moisés e vê no Divino Mestre Jesus, o filho de Deus, o salvador da humanidade. “Isso é o que a torna uma religião cristã. Tem no Mestre Gabriel um guia seguro, uma luz amiga a orientar os nossos passos”.

Presente no nome da instituição – Centro Espírita Beneficente União do Vegetal, a Beneficência se firma cada vez mais na prática do amor ao próximo, explicou o coordenador Édson Lodi. Ele ressaltou ainda o trabalho social realizado pela UDV. “Só em 2010 o trabalho da União do Vegatal resultou em mais de 113 mil atendimentos sociais. O volume de benefícios realizado em 2011 ainda está sendo computado, mas levantamentos preliminares apontam para um número ainda maior”.

Segundo Édson Lodi, desde o inicio a União do Vegetal vem promovendo iniciativas para demonstrar àqueles que ainda não conhecem suas práticas que o vegetal (Hoasca) é “comprovadamente inofensivo à saúde”. “Essas palavras do Mestre Gabriel estão presentes desde o primeiro estatuto, registrado em cartório em março de 1968. Entretanto, tivemos que vencer alguns desafios motivados pelo desconhecimento do assunto, e, em alguns casos, pelo preconceito”.

O coordenador lembrou que o Mestre Gabriel em uma frase lapidar mostrou o caminho para conseguir o apoio necessário ao trabalho que desenvolvia utilizando o chá Hoasca como sacramento religioso. “Ao longo dos 50 anos de existência o Centro Espírita Beneficente União do Vegetal tem buscado estreitar os laços de respeito, coragem e transparência em seu relacionamento com as autoridades. O resultado disso são vitórias memoráveis que compõem a história da grande nação hoasqueira. Portanto, entre as comemorações do cinqüentenário da UDV estamos tendo a honra de receber o reconhecimento do poder público, aqui representado por esta Assembleia Legislativa”.
Leia a seguir o discurso de Édson Lodi em homenagem aos 50 anos da UDV escrito na integra:

Não se trata de passageiros, portanto efêmeros:Aos discursos encaminharemos documentos e relatórios, dando conta de nossas conquistas institucionais na busca de uma inserção na sociedade sempre pautada por um genuíno propósito construtivo.

Desta forma, incorporamos ao acervo dos parlamentos expressiva fonte de consulta, respaldando a manutenção do direito ao uso da Hoasca, segundo os princípios de Mestre Gabriel e dos preceitos legais. Oferecer informações reais é uma forma de cativar as autoridades:

Citarei apenas duas grandes conquistas já que ficará à disposição desta Assembleia uma expressiva documentação sobre a UDV. Em 1971, sobre forte perseguição das autoridades, e após a abertura do processo com o Governo do Território de Rondônia, Mestre Gabriel fez constar no Estatuto do Centro Espírita Beneficente União do Vegetal a seguinte afirmação: “Para efeito de concentração mental, os associados, de sua livre espontânea vontade, bem um chá, que é a união de dos vegetais, o Mariri e a Chacrona, comprovadamente inofensivos a saúde”.

Dito por um simples cabloco, com pouca instrução material, todavia, conhecedor do reino vegetal, dos segredos e mistérios da Hoasca. Anos depois, em 1999 o Governo Norte Americano, um dos mais poderosos da terra, sob o comando do Presidente Busch usou todo o seu poder para provar que o Vegetal Hoasca causava danos a saúde e não conseguiu. Esta foi uma das razões que a Suprema Corte dos Estados Unidos, por unanimidade aprovou que a União do Vegetal pudesse continuar seu trabalho religioso naquele país com o uso de nosso sacramento: a Hoasca.

Ao mesmo tempo o governo brasileiro sofria perseguições em decorrência do caso nos Estados Unidos. O que me faz trazer outro exemplo da persistente e vitoriosa luta de manter nosso direito ao uso religioso do chá Hoasca, é a iniciativa do Conselho Nacional Antidrogas que em 2004 instituiu o Grupo Multidisciplinar de Trabalho (GMT) para o levantamento e acompanhamento, do uso religioso da Hoasca.

O documento oficial do GMT foi publicado no DOU, no dia 26 de janeiro de 2010 e mantém os princípios que vem sendo adotados pela UDV – e também por outras entidades seriamente comprometidas com o uso religioso do chá Ayahasca- desde sua criação por José Gabriel da Costa.

É costume dizer que a Associação Novo Encanto de Desenvolvimento Ecológico é o braço ambiental da União do Vegetal, o que é uma realidade. Entretanto este braço precisa que algo que o faça mover; o sentimento da preservação da natureza.

Portanto, prefiro dizer que a Novo Encanto é o coração ambiental – ou o coração verde e fértil – da União do Vegetal. A UDV também realizou encontros nacionais e internacionais com o intuito de compartilhar informações acerca do conhecimento produzido no âmbito de sua esfera de ação, notadamente o IV Congresso da União do Vegetal e II Congresso Internacional da Hoasca, realizado em Brasília maio de 2008. Este Congresso culminou com a edição do livro Hoasca Ciência, Sociedade e Meio Ambiente.

Mircléia Matos
Agência Aleac

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