Namorar não é coisa de criança


Namorar não é coisa de criança

publicado em http://www.oriobranco.net

namorarA sexualidade precoce e distorcida afasta a criança daquilo que é próprio da idade, como o aprendizado escolar.

É papel dos pais separar o que é do mundo adulto e do mundo infantil e não misturar tudo como muitos vêm fazendo.

Muitas pessoas acham engraçadinho quando crianças falam que têm namorados, trocam beijinhos e declarações de amor. Os casais apresentam bebês como ótimos pretendentes para os filhos dos amigos, pais festejam o menino que será pegador, mães vibram com as meninas que destruirão corações, vídeos de crianças apaixonadas circulam pela internet encantando multidões. O que fica na cabecinha de quem ouve ou protagoniza esse tipo de coisa? Será que essa brincadeira aparentemente inocente não está jogando a infância em um terreno perigoso?

É papel dos pais separar o que é do mundo adulto e do mundo infantil e não misturar tudo como muitos vêm fazendo. Não é à toa que cada vez mais cedo, meninos e meninas com 12 anos de idade ou muito menos “ficam” com os coleguinhas da escola e vizinhos como se fossem adolescentes. E mães de crianças com cinco anos levam um susto quando pegam as filhas beijando uma amiguinha na boca durante uma brincadeira quando as bonecas Barbie namorando já não é suficiente.

A indústria de brinquedos, roupas e cosméticos investe na “adultização” da infância e o mercado publicitário cresce às custas dos anos roubados das crianças. O problema é que os adultos, principalmente os pais, não percebem a gravidade do problema e caem na armadilha, estimulando o atropelo com brincadeiras que acabam incentivando os namoricos de mentirinha e conduzem a uma verdade preocupante: a erotização precoce.

Para a professora do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), Walkiria Grant, o namoro é a vivência da sexualidade, da atração pelo corpo do outro, portanto, não é assunto de criança. Apenas na adolescência, por volta dos 14 anos, o corpo sofre transformações e responde pela linguagem. Antes disso, qualquer iniciativa para erotizar as relações ou fantasias infantis deve ser evitada. O que os pais e a sociedade falam promove mudanças precoces interferindo negativamente no desenvolvimento infantil.

A psicanalista adverte que as afirmações dos pais sobre namoros entre crianças funcionam como o consumo de produtos para adultos na infância. A mãe que compra um sutiã de bojo para a filha de 8 anos pode estar buscando resolver, por intermédio do corpo da criança, as dificuldades com a própria sexualidade. Em geral, cria-se um movimento de fusão entre as duas. “A filha funciona como um cabide da sexualidade da mãe. O que ela não está podendo viver na sua sexualidade? É um movimento inconsciente. Ela dá para a filha o que quer para ela”, explicou. Segundo a professora, a publicidade só convence quem tem o desejo em relação ao objeto. Por isso, o desejo de compra da mãe deve servir como um alerta para que ela busque lidar com uma verdade que é dela e não da filha.

Na avaliação de Walkiria Grant, pais que têm uma vida sexual reprimida vivem a sexualidade pelo prazer dos filhos. “Quanto mais comprometida estiver a vida sexual, mais escorregam. Os pais são o grande nó: ou impedem o adolescente de namorar ou empurram o filho para a sexualidade precoce”.
Não é porque está na moda e na mídia, que todos vão agir da mesma forma. Ela ressalta que a atitude dos pais deve ser de provocar as crianças para pensarem em outras coisas. Não se deve jogar luz, valorizar, dizendo coisas como: “O meu filho é macho, já está beijando”. As crianças precisam ser estimuladas a viver em sociedade sem foco na sexualidade e nas suas vontades.

A sexualidade vivenciada de maneira precoce e distorcida afasta a criança daquilo que é próprio da idade, como o aprendizado escolar. A criança precisa estar com a sexualidade adormecida, com o foco fora do seu próprio corpo, para poder enxergar o mundo. “Ou joga a energia para a sexualidade ou joga para o aprendizado. Mais tarde, quando já teve tempo para aprender o que é das letras e dos números, tem energia para jogar com as duas coisas. A criança focada no corpinho dela não se volta para o professor. Além de problemas de sexualidade precoce, terá mais dificuldade no aprendizado escolar.” A psicanalista adverte que a criança capta o sentimento dos pais. Mesmo sem uma palavra de aprovação, se a mãe se mostrar orgulhosa porque a filha “deu um selinho”, a prática vai se repetir.

Os pais não podem ter medo de ser careta, é necessário dizer: “Isso não é coisa de criança. Você só vai beijar e namorar quando crescer.”

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8 pensamentos sobre “Namorar não é coisa de criança

  1. Muito bom este texto! Quero ter filhos e dar uma boa educação a eles, aqui encontrei bons elementos pra examinar como fazer.

  2. Carlos Maciel disse:

    Oi Lorena,

    Realmente o texto é rico e nos chama a atenção sobre o tema. Ainda existem muitos pais que, talvez ainda ignorantes do mal que estão fazendo à criança e à sua moral, vestem-nas com pequenas roupas e incentivam o namoro. Além de estimularem o afloramento da sexualidade fora do momento, estão sujeitos a perturbar a memória dos futuros adultos de maneira as vezes irreparável.

  3. Helena disse:

    Gostei muito do texto, minha filha só anda dizendo que tem um namorado na escola, e sempre ela tras presentes misteriosos pra casa. Isso começou quando ela assistiu a novela “Carrossel”, o namoro de Davi e de Veléria justifica isso, muitas crianças só fazer o que não não é correto para idade delas por que assisti essas besteiras, elas aprende coisas que não deve..É só.

  4. Carlos Maciel disse:

    Olá Helena,

    Que bom que o texto foi-lhe útil de alguma forma. Parece carolice ou chatice de velho, mas moral e bons costumes não tem idade. E é um bom costume o namoro na hora certa, conhecer e reconhecer o sexo oposto quando chegar a hora física e intelectual. Fora disso é um desequilíbrio da natureza humana.

    Dê uma atenção aos presentes também, descubra de onde vem, quem é e se for preciso fale com os pais do menino. Coloque ordem na vida de sua filha, que ela só tem a ganhar. Tudo de bom para sua família!

  5. Helena disse:

    Olá, Carlos, andei obcervando, você sempre responde alguém que posta comentários aqui.
    Você é o dono desse siti?

  6. Carlos Maciel disse:

    Dono? É, pode-se dizer que este é meu saite.

  7. everton disse:

    A novela carrossel com certeza incentiva a sexualidade precoce da criança. E o resultado de tais incentivos todos nos sabemos: gravidez na adolescência , caráter corrompido, enfim, assim como um efeito dominó, desencadeia uma série de complicações na personalidade e no decorrer da vida da criança. Culpa dos pais ignorantes e alienado pela mídia. demoniaca.

  8. Carlos Maciel disse:

    Everton, Este é um problema real e atual na mídia do mundo todo. Mas parece que aqui na Terra Brazilis a coisa está pior. Os agrados implícitos, as afagos explícitos, a adultização das crianças, em especial meninas nas novelas, já é uma praga! Experimente dizer que você é contra. É sujeito ser expulso de um ambiente, tal é a situação. E ainda falam em gigante que acordou! Como você disse, continuam alienados. Depois derrubam lágrimas pelos filhos e se perguntam, “mas onde foi que eu errei?”

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