40 anos depois, por Altino Machado


Estou passando avexado apenas para contar uma história do turbilhão de histórias resultante do encontro ontem com o quarteto da foto: o jornalista Antonio Alves, a cientista política Margrit D. Schimidt e os jornalistas Carlos Marques e Mara Moreira. Marques, que é consultor da Unesco e mora em Paris, retornou ao Acre após 40 anos. Anteontem, no final de uma audência com Jorge Viana, o governador perguntou ao jornalista se ele já conhecia o Acre.

E Marques contou que estava com 20 anos idade quando a direção da revista Manchete decidiu destacá-lo, na companhia de um fotógrafo, para uma reportagem sobre a distante Rio Branco, capital do Acre.

Entre os várias entrevistados, Marques conversou com o bispo italiano Giocondo Maria Grotti, que dois anos depois morreria durante acidente aéreo no município de Sena Madureira.

Ao ser perguntado sobre os problemas que enfrentava na região, o bispo reclamou da doutrina do Daime, fundada pelo negro maranhense Raimundo Irineu Serra.

Marques decidiu conhecer o mestre Irineu Serra, que trabalhava no roçado de sua propriedade quando o jornalista foi visitá-lo.

– Aquele encontro foi a experiência mais marcante de minha vida. O mestre Raimundo disse que sabia que eu chegaria e estava me esperando. Disse o meu nome, que eu havia sido libertado recentemente da prisão e que eu tinha uma cicatriz na perna.

Marques contou, ainda, que passou três dias no Alto Santo e tomou Daime, mas não revela detalhes de sua experiência.

– Ele me disse que um dia eu voltaria ao Acre, mas jamais acreditei nessa possibilidade.

A revista Manchete publicou então várias páginas com a reportagem, onde prevaleceu na edição a versão do bispo de que se tratava de uma seita diabólica. Foi a primeira entre tantas a desagradar Irineu Serra e seus seguidores.

Ao terminar de contar sua história, o governador Jorge Viana mostrou ao jornalista o convite que recebera para participar hoje do festejo dos 50 anos de casamento de Irineu com Peregrina Serra. E convenceu o jornalista a permanecer mais um dia no Acre.

Marques reencontrou ontem dona Peregrina, viúva de Irineu Serra, a quem pediu desculpas pelo conteúdo ofensivo que sua reportagem ganhou na edição da revista.

– Eu não podia revelar que havia encontrado Deus – disse.

Quem quiser saber mais a respeito da passagem de Carlos Marques pelo Acre, deve pegar o livo “Verdade Tropical”, de Caetano Veloso, e fazer uma leitura da página 308 a 319.

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