Iraque: País continua a ser um dos mais perigosos – comentado


Londres, 16 Mar (Lusa) – O Iraque continua a ser um dos países mais perigosos do mundo cinco anos depois da intervenção da coligação internacional para depor Saddam Hussein, segundo um relatório da Amnistia Internacional (AI) publicado segunda-feira.

Até aqui, nenhuma novidade. Mas é bom que alguém tenha se manifestado aberta e claramente a respeito, mesmo que os Estados Unidos faça de conta que não ouve. Também é importante notar que a declaração foi feita em Londres, em um país longe de ser neutro na questão. Já se vão cinco anos, mas para quem não lembra, a internet está recheada de informações a respeito da participação do Royal Army na carnificina. Shame on them.
No relatório com o título “Carnificina e desespero, o Iraque cinco anos depois“, a organização de defesa dos direitos humanos AI sublinha que a insegurança já provocou o deslocamento de mais de quatro milhões de iraquianos.
Insegurança não é o mesmo que falta de segurança. Este deslocamento foi causado pelo sentimento de insegurança. A diferença aqui se caracteriza por vítimas indiretas, ou seja, pessoas que ainda não sofreram o impacto direto, como ferimentos físicos ou flagelo, como falta de alimentos, tortura ou abusos de diversas (des)ordens. Além disso, falta de segurança nem sempre gera insegurança, que é um estado de desequilíbrio psicológico.
“Centenas de pessoas são mortas mensalmente na violência omnipresente, enquanto um número incalculável de vidas são ameaçadas todos os dias pela pobreza, cortes de electricidade e de abastecimento de água, falta de alimentos e de remédios, e pela crescente violência contra mulheres e jovens raparigas”, sublinha a organização.

Violência omnipresente e número incalculável de vidas são dados que representam todos os seres vivos da zona de guerra. Nenhuma situação de violência é aceitável, seja ela de fome ou sexual. Os limites para se lutar contra isso são os da ética e da moral espiritual, superior à moral dos homens.

Segundo a AI, os atentados e assassínios perpetrados pelas milícias, a tortura e os maus-tratos infligidos pelas forças iraquianas e a detenção, frequentemente sem acusação nem julgamento, de milhares de pessoas – actualmente estimadas em cerca de 60 mil – pelas tropas iraquianas e norte-americanas tiveram um “efeito devastador, que provocou o deslocamento de mais de quatro milhões de iraquianos”.

Já vimos este movimento na Terra, já sentimos esta dor, não precisamos continuar com isso. Podemos e devemos lutar contra com todas as nossas forças.

“Milhões de dólares foram gastos na segurança mas actualmente três iraquianos em quatro ainda não têm acesso seguro a água potável e perto de um terço da população – cerca de oito milhões de pessoas – depende da ajuda de urgência para sobreviver”, refere a AI, sublinhando que metade da população activa está desempregada e que quatro iraquianos em cada 10 vivem com menos de um dólar por dia.”A administração de Saddam Hussein era um símbolo do desrespeito pelos direitos humanos mas a substituição do regime não trouxe qualquer vantagem para o povo iraquiano“, sublinhou Malcolm Smart, director para o Médio Oriente e para África do norte da AI.

Esta assertiva é das mais importantes do texto. Enquanto as outras partes da declaração passam dados e informação, aqui a AI se posiciona enfaticamente a respeito dos resultados, pressionando o governo (letras minúsculas) dos estados unidos (minúsculas de novo) e esclarecendo alguém que ainda tenha dúvidas.

A Amnistia refere que mesmo na região iraquiana do Curdistão “a melhoria da situação económica não foi acompanhada por um maior respeito pelos direitos humanos”.

Bingo! Faltou explicar aos soldados americanos que abuso sexual, tortura e matança indiscrimida, ainda que pelo despreparo são crimes de guerra e desrespeito evidente aos Direitos Humanos.

Os problemas de segurança “travaram os esforços” para restaurar a ordem “mas mesmo quando as autoridades iraquianas estiveram em posição de proteger os direitos humanos, fracassaram largamente“.”Actualmente os julgamentos são injustos, com acusações deduzidas de provas obtidas com torturas, e centenas de pessoas foram condenadas à morte”, refere a organização.

Esta situação é muito comum em diversos países, inclusive aqui e nos estados unidos. Comum não quer dizer normal ou aceitável. Há que se criar um esforço mundial para se separar um do outro e eliminar o comum.

“É um dos aspectos mais inquietantes em relação ao futuro”, sublinhou Smart.Para a organização, todas as partes violaram os direitos humanos, com alguns cometerem crimes de guerra e crimes contra a Humanidade.

E aí, como fica? Quem tem coragem de se promunciar? Onu? Brasil? Você?

© 2008 LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A.2008-03-17 07:31:50

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