O Sr. Gerúndio, prestador de valiosos serviços à lingua portuguesa, foi demitido do Distrito Federal por justa causa. Andou facilitando a burocracia e a vadiagem no governo. A notícia provocou surpresa, espanto, admiração e outras reações não esperadas.
A Doutora Wania de Aragão defende o Gerúndio, dizendo que a língua é do povo (nisso eu concordo com ela) e alega que “O que as pessoas recriminam é este bordão que surgiu referente ao uso insistente deste tempo em algumas ocasiões”. Também concordo e é justamente por isso que o honorável Gerúndio (já o disse, no passado prestou valiosos serviços) foi demitido.
João Domingos, do Estadão, em belo português acha que o ato foi de coragem e muito sutilmente dá vivas ao ato do Governador José Roberto Arruda.
A íntegra do decreto
DECRETO Nº 28.314, DE 28 DE SETEMBRO DE 2007.
Demite o Gerúndio do Distrito Federal, e dá outras providências.
O GOVERNADOR DO DISTRITO FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 100, incisos VII e XXVI, da Lei Orgânica do Distrito Federal, DECRETA:
Art. 1° – Fica demitido o Gerúndio de todos os órgãos do Governo do Distrito Federal.
Art. 2° – Fica proibido a partir desta data o uso do gerúndio para desculpa de INEFICIÊNCIA.
Art. 3° – Este Decreto entra em vigor na data de sua publicação.
Art. 4º – Revogam-se as disposições em contrário.
Brasília, 28 de setembro de 2007.
119º da República e 48º de Brasília
JOSÉ ROBERTO ARRUDA
A Folha Online – que tem o péssimo hábito de não nomear o autor do artigo – manteve-se mais apática em relação ao assunto. Limitou-se a passar a notícia, sem conseguir pró-vocare o leitor.
Tem-se notícia que o Gerúndio não tem intenção de ir ao Ministério do Trabalho para lutar por seus direitos. “Fui usado” disse ele, “por marketeiros e preguiçosos de maneira inescrupulosa. Espero que minha demissão sirva de exemplo para outros maus usos de nossa língua Portuguesa”.
Estaremos protocolizando seu sonho de vida, Sr. Gerúndio.

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